Enigma de Bresa


25/05/2009


O QUE É REALMENTE IMPORTANTE???

Não compreendo esta nossa faceta humana que nos impõe o distanciamento da felicidade quando o que mais queremos é nos aproximar dela. Observem: se a felicidade é uma casa, logo queremos dois carros. Quando ela se transfigura numa televisão de 42" LCD, tratamos de desejar um notebook de última geração. Tudo bem que vivemos em um planeta materialista, onde a maior parte das pessoas somente vislumbram sua sobrevivência, contudo, até quando vamos nos permitir apenas a viver e existir em função do que é passageiro, do que tem fim? As religiões deveriam mudar o foco de suas ações, desvinculando-se de uma pseudo salvação e direcionando esforços no sentido espiritualizar mais profundamente as pessoas, de fato e não apenas superficialmente. Ensiná-las a olhar o mundo de uma forma diferente, menos pretenciosa e exigente; fazê-las vivenciar suas difculdades e superá-las já seria um bom começo. Todavia, ainda se embatem nas questões puramente materialistas. Curas de doenças, alívio para depressões, caminho para riqueza, etc. Porque eu tenho que ficar rico? Para que acumular riqueza e poder, se num átimo de segundo tudo pode mudar o rumo de nossas vidas? Estava pensando no empresário paulista que morreu junto com a sua família em um desastre áereo em Porto Seguro, aqui na Bahia, neste final de semana. Quatorze pessoas, ao todo, entre amigos e parentes de uma mesma família. Eis um fato para se pensar e não apenas enxergar o óbvio!


Não importa o que desejamos e o que conseguimos ter, pois nada é nosso de maneira definitiva. A posse é transitória, sempre o e sempre será. Mais vale viver em paz e buscar aprender a apaziguar nossos traumas e angústias, do que tão somente camuflar nossas dores e medos com um celular de último modelo tecnológico. Pode ser até legal, mas não satisfaz. Não quero dizer com isto que teremos que nos alienar das coisas do mundo, de vivê-lo intensamente, não é isso, mas medir a dose na porção certa é o que separa o veneno da profilaxia. E olhar o mundo e as pessoas sem nos sentirmos superiores a todos com certeza já é um passo largo em direção ao verdadeiro entendimento do que é a vida.

 



"Se eu alguma vez vier a ser Santa - serei certamente uma santa da 'escuridão'. Estarei continuamente ausente do Céu - para acender a luz daqueles que se encontram na escuridão na Terra". - Madre tereza de Calcutá -

Escrito por Betão às 21h30
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16/02/2009


SONS AOS OUVIDOS

 

 

Olho-te com olhos de um passado facundo

cujo tempo não irá consumir,

tenho-te com juras eternas de amor

em qual prisão desejo premir meu coração

 

Em teu corpo, onde encontro termo

insinuo meus desejos,

faço brisa de meus pensamentos

e arejo teu hálito melífluo  

com ósculos bafejados de fervor

 

Sou teu sem meios, sem fins

apenas um bardo abobalhado

diante deste espetáculo, que me comove

conjunto perfeito de olhos e boca devoradores,

pernas esguias e mãos macias

 

Eu não possuo mais a minha razão

dela me fiz ausente

para presentear-te com minha alma

plenificada de amor,

com tempero de paixão.

 

Roberto Almeida

16/02/09

 

Escrito por Betão às 20h38
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PESSIMISMO, PENSE NISTO...

 

Para onde quer que eu mire a minha atenção eu apenas vejo desamor, ódio e destruição. A esperança deu lugar ao caos. E eu não consigo reagir. Prostrei-me diante do que me parece inevitável. Em meu coração não habita mais a jovialidade inocente das crianças; tornei-me um adulto temeroso e impaciente.

 

Hoje são três crianças que morreram nas mãos de um anônimo. Ontem, uma professora que encerrou sua jornada aqui na terra diante de um ônibus desgovernado. Uma menina de dezesseis que morre, pois ousou encontrar-se na reta linha de uma bala lançada a esmo.

 

 E o carnaval começa daqui a quatro dias. Drogas, sexo, dinheiro, eis o ritual humano da perfeição. Sorrisos fakes, corpos esculpidos e perfeitos, a ilusão como fantasia inundando os corações e mentes deste planeta, num réquiem eterno ungido de gozos e delícias. Este planeta é um inferno, onde o amor não possui expressão. Matamo-lo todos os dias.

 

A lógica das coisas não mais me alcança. Tenho medo deste mundo e detesto no que ele se transformou. Mas, a responsabilidade deste estado de caos é nossa. Só que não tenho mais forças para lutar contra as maldades humanas. O egoísmo, a vaidade, o orgulho, a ganância se tornaram sinônimo de raiva, ódio, vingança e o espaço entre eles e nós está cada vez mais exíguo. Matamos todos aqueles que acreditaram no amor e nos revelaram sua sublime face.

 

Estou tentando, arduamente, lutar contra pensamentos negativistas para não me contaminar com o pessimismo vigente, natural de todas as circunstancias nefastas paridas dos desejos. Não há mais luz e a morte parece tão desafiadoramente acolhedora. Contudo, quero crer que tanta atrocidade e violência, moral, espiritual e carnal, sejam lúdica transformação. Mais um instante negro de tempestade na história da humanidade, mas que logo se transformará em bonança. Só que dói muito ver tanta beleza escoar ralo abaixo e repousar no esgoto imundo dos interesses e futilidades humanas, cotidianamente, sem que possamos, de fato, determinarmos imediatamente a mudança deste rumo.

 

Devo-me lembrar dos faróis a iluminar as encostas bravias dos mares insurretos. Pequenos, mas perenes fachos de luz aclarando a escuridão em derredor dos navios viajantes. Eis as nossas almas sem fulgor, mas clarificadas pela coragem de alguns poucos desbravadores das almas e pestilências das criaturas.

 

Roberto Almeida

16/02/09

 

Escrito por Betão às 20h12
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O INIMIGO SOU EU, O INIMIGO É VOCÊ

 

Em meus olhos já não mais se refletem a esperança e a coerência

são rasos e opacos  estes vasos de vidro

onde me escondo, por medo de ser quem sou

 

A ilusão me persegue, ludibria e embota minha visão

estou cego por não me ver onde estou

morto, por não mais crer para onde vou

então, que venha a lúgubre e eloqüente exatidão

 

Não são mais meus os doces passos do tempo

debalde os inúteis esforços de acompanhá-lo, entende-lo

não existe satisfação em um futuro exíguo

que nos afasta solenemente dos sonhos, tornando-nos intragáveis

quais infantes insolentes, chorando atenção aos seus desejos

 

Eu nego minha natureza

esta humana maldição

odiosa condição

espargindo sangue e culpa em meu rosto

dor em minha alma

contaminando minha crença com o fel do rancor,

onde estou? Minha voz se cala

onde estou? Ó morte infinita, que lacera o amor imortal,

de todos os que se afastaram de mim

 

E esta sensação arredia de finitude

que permeia as minhas mãos vazias

destituindo-me de brios e, alhures,

a paz que me atormentava

 

Sou pleno, sou vazio

sou um soco certeiro no nada

minhas próprias paranóias infundadas

e este absoluto medo que toma

estou em coma

para arriscar algo mais

 

Ouço o rosnado feroz da vida

esta, que parca, desvencilha-me das certezas

levando-me por suaves prantos de aflição

ao árido deserto de minha retina,

que abandonou-me ante o primeiro estrondo de um trovão;

eis que a morte fez-se tardia

e a vida seguiu seus incertos caminhos...

 


 

Roberto Almeida

16/02/09

 

Escrito por Betão às 19h10
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23/12/2008


AH! ESSES DIAS TÃO DIFÍCEIS

Discussões ideológicas não possuem termo. Nunca vão acabar de fato com as diferenças que existem entre as pessoas, não importando a cor de suas peles, credos e opções, pois essas diferenças são de entendimento, educação e aceitação. Os conceitos são criados para nos diferenciarmos psicologicamente, dividindo-nos em castas, segregando-nos em guetos, classes, tipos, cores (...), etc. Mas, a grande questão é: nós realmente precisamos desta separação?

 

Vire-nos ao avesso e verão que somos iguais, com as mesmas vísceras, órgãos, veias, tendões, músculos e ossos. E, ao morrermos, apodreceremos e seremos esquecidos, não obstante essas ridículas pretensões. A ignorância é a premissa básica dos racistas, sejam eles quem for, venham de onde vier e sejam quais for suas cores prediletas.

 

Na boa, esse papo já deu o que tinha para dar, agora, cabe-nos apenas tomarmos a ação de realizar a redução das diferenças, começando por nós mesmos esta mudança. Não tenham pena, nem, tampouco, zombem de mim porque sou branco, amarelo, vermelho, preto ou porque me expresso de forma diferente e creio de maneira diversa de você, pois, pode até parecer loucura (e não é), mas, talvez, o diferente seja você, que não vê além de sua própria mesquinhez.

 

O amor verdadeiro não possui rótulos, pois, caso contrário, deixaria de ser amor. A beleza existe na diversidade, caso contrário, tudo seria eloqüentemente monótono. O equilíbrio das formas se encontra nas texturas existentes entre a luz e a escuridão, entre o som e o silencio, entre o feminino e o masculino, até que todos eles se mesclem algum dia e gerem outras melodias.

 

Sinto muito, mas este mundo que herdamos é, cotidianamente, construído por nós mesmos e fica esquisito desejarmos um mundo melhor sem tentarmos fazer dele, por nossos próprios méritos, um lugar benfazejo e possível. Oxalá tenhamos sobriedade, vontade, lucidez e bom senso para iniciarmos um entendimento mais amplo sobre as ações que devemos tomar a fim de atingirmos tais objetivos. Nunca é tarde para começar a amar, realmente, esses seres humanos tão diversos e, mais do que nunca, semelhantes.

 

Ω

 

Natal, ano novo, festas, tudo conversa fiada para um ou dois dias específicos, de gastança e comilança, sem as devidas reflexões, onde mergulhamos avidamente em nossos egos e vivenciamos, mais do que nunca, as ilusões do mundo. Contudo, isto faz parte do aprendizado de viver e sorrir, mesmo diante de obstáculos intransponíveis. Não importando quem sou eu ou o que quero, quem eu amo ou odeio, menos ainda no que creio ou consigo ver, pois é certo que continuaremos sendo nós mesmos, independente do que acham de nós. Todavia, ao olharmos, o que nos cerca, com os olhos de nossos semelhantes e sentirmos suas dores e tristezas, suas alegrias e plenitudes, talvez, estejamos dando um passo primordial e importante para mudarmos a nossa própria maneira de ver o mundo, sem nos sentirmos melhores ou piores do que eles, mas, apenas iguais. 

 

 Tá bom, tá bom, vai, feliz natal para vocês...

Escrito por Betão às 18h30
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10/12/2008


AMIGOS: UMA HOMENAGEM

 

Os dias devoram nossas vidas e não nos promete mais que algumas expectativas, quando tentamos realizar nossos sonhos ou, menos certezas, quando percebemos que trocamos tudo àquilo que valia muito por momentos efêmeros de satisfação. Os amigos, nossos amigos de infância, aqueles verdadeiros amigos que, junto a nós, se formaram irmãos nesta jornada, mas que, por fim, seguiram rumos diversos dos nossos. Mas, permanece o afeto e o orgulho de podermos chamá-los de amigos, quiçá, verdadeiros irmãos. Engraçado, somente eles sabem nossos apelidos, nossos pontos fracos, nossas coragens e medos, freqüentes no imaginário infantil. Seguimos caminhando, o destino nos embalando a estrada, nada fácil esta jornada. Contudo, sempre pensamos em nossos amigos fraternos e seguimos em frente, sem temermos nada. Bastava sabermos tê-los que atenuava as dores e os amores deste mundo. O poetinha Vinícius Morais dizia que apenas bastava saber que existiam e o mundo se fazia mais belo.

 

O que proponho é um breve e exíguo reencontro, mas não menos eterno. Algo tão necessário que possui o poder de nos fazer seres humanos mais completos, pois teremos como resgatar, dentro de cada um de nós, a criança peralta, o adolescente sonhador, o homem brando que, depois de árduas escolhas, passou a andar sozinho, sem a companhia dos melhores amigos do mundo. É algo triste de saber e de vivenciar, mas estamos incompletos, pois parte de nossa história vive na memória daqueles que construíram conosco momentos engraçados, divertidos, por vezes tristes, mas totalmente intensos.

 

Pensem; um pequeno reencontro de almas afins, todos nós, que nos elegemos mutuamente como irmãos, família sem laços consangüíneos e não por isto menos forte. Hoje somos adultos, um pouco abobalhados e ensimesmados, pois acabamos por dar valor a circunstâncias que não deveriam ser tão importantes quando se vive ou se tenta viver plenamente. Pode ser que sim, pode ser que não, não quero emitir juízo de valor, mas pretendo amocioná-los a ponto de fazê-los vir ao nosso encontro para resgatarmos o olhar ingênuo que tínhamos do mundo... baba, campeonatos, War, meninas, palhaçadas, molecagens, sacanagens, intrigas e algumas brigas, nada que não pudesse ser resolvido com trocas de olhares ameaçadores. Risos.

 

Passaram-se anos e a sensação de novidade, de reencontro com as pessoas que se criaram, uns aos outros, ainda é algo indefinível. Tive a oportunidade de falar com alguns de vocês e fica o sentimento de que nunca nos afastamos; que foi ontem, poucas horas atrás, onde deixamos as palavras guardadas no baú do tempo e partimos em busca de nossos desejos. Fico feliz em saber, que para mim, vocês são mais que simples amigos; tal sentimento é maior que uma mera e simples amizade. Talvez, talvez, quem sabe, uma fraternidade que transcende os séculos, milênios nessa existência ínfima, corroborando com a frase de Milton Nascimento quando ele diz:

 

Amigo é coisa para se guardar
debaixo de sete chaves, dentro do coração
assim falava a canção que na América ouvi
Mas quem cantava chorou, ao ver seu amigo partir

 

Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
e quem voou, no pensamento ficou
com a lembrança que o outro cantou.

 

Amigo é coisa para se guardar
no lado esquerdo do peito
mesmo que o tempo e a distância
digam não, mesmo esquecendo a canção
o que importa é ouvir a voz que vem do coração

 

Pois seja o que vier, venha o que vier
qualquer dia amigo eu volto a te encontrar
qualquer dia amigo a gente vai se encontrar.

 

Portanto, preclaros, eis a importância deste reencontro, uma reunião de entes queridos e valorosos, que levam consigo as lembranças de momentos únicos, relevantes e inesquecíveis, que por si só já fazem uma enorme diferença. O engraçado é que quando estamos separados nos tornamos vazios e quando estes se somam fica, para mim, mais que evidente a hora de nos reencontrarmos, irmanados numa saudade sem termos, ungidos pelos sonhos, esperanças, diálogos inacabados, picardias juvenis que, sob o meu olhar, permanecem incólumes até os dias de hoje.

 

O tempo passa, não deixem que a morte cotidiana nos consuma vilmente ao sabor de nossas conveniências. Deixarmos para depois tudo aquilo que poderíamos ter feito, usando deste jargão batido, é reverenciarmos a finitude de nossas existências. Não quero e nem vou reencontrar meus amigos apenas nos momentos de dolorosa despedida. Quero reverenciar a plenitude de nossas vidas, por isto, conclamo todos vocês a este reencontro, rebanho de sacanas incomparáveis, mas sacanas. No aguardo.

 

"O passado é história, o futuro é mistério e o presente é Dádiva"

Escrito por Betão às 10h56
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20/11/2008


O QUÃO NEGRA É A MINHA CONSCIÊNCIA?

 

Tergiversar acerca de raça, cor, pigmentação da pele é algo extremamente cansativo para mim. Causa-me espécie pensar que uma pessoa possa ser avaliada e julgada apenas pela tonalidade de sua pele e não pelo seu conteúdo, seus predicados e qualidades. Meu pai era negro, minha mãe é branca e eu nasci miscigenado: marrom, pardo, como queiram. Conheço negros e brancos bons e outros nem tanto. Assim como reconheço que todos os seres humanos, independente de seus adjetivos pejorativos ou não, estão propensos a errar e a acertar, de acordo com suas próprias convicções e interesses. Não sou melhor ou pior por conta da minha cor de pele. Rechaço qualquer tipo de má vontade em ver o que há de bom no ser humano, mesmo quando tudo demonstra o contrário. Sou um otimista ou, pelo menos, pretendo ser. Vejo-nos inseridos na natureza e não à parte dela, por tanto, predispostos a cometer desatinos morais das mais variadas ordens. Contudo, é possível superar esta animalidade natural que permeia nossa herança genética. Somos capazes de perpetrar atos de extrema generosidade e abnegação, basta exercitarmos nossa vontade pessoal e coletiva para conseguirmos mudar a visão limitada que possuímos do mundo, das pessoas e das coisas que nos cercam. A intolerância é um erro gravíssimo e não podemos, nem devemos abster de nos indignarmos diante de fatos lamentáveis e execráveis, todavia, a tolerância deverá ser voz ativa toda vez que a diversidade se fizer presente, venha ela de onde vier, se ela o que for.

  

 

Minha consciência não é negra, nem branca, nem parda. Ela é transparente e reflete as cores que se apresentarem diante de meus olhos. Eu vejo o homem pelo que ele é e representa, sábia ou ignorantemente, na sociedade em que vive e atua. Eu sou a soma de todos os entes que viveram antes de mim para que eu hoje estivesse aqui; eu sou branco, vermelho, amarelo e negro; eu sou um brasileiro.

Escrito por Betão às 17h31
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15/11/2008


Ele tinha uma teoria. Parecia ser uma teoria de virologista. Ele achava que se podia curar o racismo e o ódio, literalmente, injetando música e amor na vida das pessoas. Um dia, estava programada sua apresentação em um comício pela paz. Atiradores foram a casa dele e atiraram nele. Dois dias depois ele foi até o palco e cantou. Alguém perguntou a ele por quê. Ele disse:

 

- As pessoas que tentam tornar este mundo pior não tiram um dia de folga. Como eu posso tirar???

 

- Roberto Neville – (no filme Eu sou a lenda) -

Esta é uma verdade interessante. Em 90% do nosso tempo estamos tão envolvidos, egoisticamente, com nossas próprias necessidades que nos esquecemos o porquê de estarmos aqui, neste planetinha azul, presos e fadados a MORRER! E o que nós fazemos? NADA!!! Apenas choramingamos problemas, preocupados com a grana que deixamos de ganhar; com o sexo que queremos fazer ou com o carro que queremos comprar...

 

Posso não gostar tanto de reggae quanto eu gostaria. Nem possuo nenhum disco de Marley. E não gosto de fumar maconha, nem admiro quem usa, apenas respeito, mesmo que cerimonialmente; e mesmo sabendo que era parte da religião dele.  Contudo, não me deixo refutar a estatura espiritual deste camarada, deste artista único que entendeu lucidamente sua função aqui no planeta. Não posso deixar de admirar o ser humano e o artífice de músicas e almas Bob Marley. Se todo mundo soubesse sonhar, pensar e agir de maneira semelhante a dele, certamente, este seria um mundo melhor.

 

 - Jammim Jah!

 

Escrito por Betão às 19h37
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10/11/2008


LETRA, POESIA E ELUCUBRAÇÕES...

Sempre me fascinou a capacidade do ser humano em se comunicar por meio da escrita e da fala, de forma articulada, elaborada, mesmo naquelas situações em que a inteligência não passou de um átimo de lucidez sapiente. Isto é o que nos diferencia dos animais, mesmo porque eles também se comunicam à sua maneira. Resgatar de nossas entranhas todo o sentimento e contrastes destes, que habitam uníssonos nosso cerne cognitivo emocional e, sensibilizados pela paixão de criar, iluminar a existência humana com a materialização das idéias e pensamentos por meio da junção elaborada de letras e articulação das palavras, simplesmente, nos aproxima das origens do universo como co-criadores em plano menor, deste. Cada mente é um Cosmos inigualável, ao mesmo tempo, dissociado e interligado, numa antítese simbiótica, contínua e progressiva, de diversidade e caos: Criação. Escrever é o ato burilar este universo e a poesia é a língua que nutre a criação. No início tudo era escuridão, depois fez-se luz. O verbo tudo ordenou. A poesia fez-se presente e revelou a hipocrisia, instituindo o caos universal, uma nova Babel dos sentidos. Lambeu a bunda do verbo, molhou o papel e imortalizou o pensamento fugaz. A letra está viva, corrompe a pseudo estabilidade humana, desafiando-nos a realizar o imponderável.



A letra,
inspira
a verve maculada,
a noite eterna,
insônia,
revolve minha alma.

Um cálice,
vinho amargo, sanguíneo,
é fel,
é mel,
é dor de morte;
imprime em minha face escarnecida,
a angústia de ser cria e criatura,
sob a letra reles e esquecida.

O parto delituoso
das palavras impronunciáveis,
nascidas de sonhos, gozos e algozes,
eis a conversão imposta aos infiéis:
canetas, papéis e aríetes.

Ato febril,
concepção ambígua,
a rima, a rima,
viela úmida e fria
habitáculo obscuro
de minh’alma tortuosa e pia.

A letra é língua,
ferina, casta e imunda,
subjuga e liberta,
antítese mais que perfeita, pira.

Escrito por Betão às 14h33
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10/09/2008


           Elevação

 

 

 

Meus demônios?

Meu lar, incerto

decerto o túmulo vasto,

meu corpo imundo

carcomido pelo passado;

                       incoerente?

 

Demônios indecentes,

calam, na hora da morte cega

falam do medo

que me atormenta,

minhas sombras

minhas narinas ofegantes,

consolam-me na despedida.

 

Meus,

sombrios demônios, pessoais

venham, saiam

cavalguem minhas paragens

destruam a criação da alma,

                                  solitária,

minha alma nefasta,

antiga toada disforme e apática

sem esperança no porvir,

sem amor nas canções,

sem mãe nos dias frios,

apenas a dor,

só dor,

a solidão pútrida de minha existência,

                                             dementada.

 

 

Roberto Almeida, 22/12/03

Escrito por Betão às 21h36
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SÍMIOS HUMANOS = FRIVOLIDADES

 

A humanidade é frívola. Eu sei que tudo está muito óbvio demais, mas, mesmo assim, nos tornamos um resumo mal feito do "status quo" que assumimos diante da sociedade. Os interesses pessoais possuem premissas extremamente execráveis quando a vontade de poucos se sobrepõe a vontade de muitos. O catre em que nos encontramos enclausurados, nossos egos largos, não nos permite uma visão mais elaborada acerca da condição pífia de nossa espiritualidade.

 

Talvez, finalmente, seja tudo uma estapafúrdia invenção de nossos egos. Talvez eu e você sejamos uma doce ilusão ou uma lembrança amarga de algum cão vira-latas, agonizante no inferno. Estamos tão preocupados em ter; possuir; ocupar em detrimento do existir, ser e amar. Quem somos nós? Tudo para mim é permitido, para você existem leis. Eis o maior mandamento humano: eu te vendo ilusões e você crê que ainda está vivendo!

 

Vejo nos olhos das pessoas um sentimento, cada vez mais presente, de vazio, de dor. Uma intensa e perversa (que soa-me falsa) sensação de plenitude forjada por desejos efêmeros, se fortalece e nos consome. Eu tenho coisas que comprei e que são minhas até que a morte me separe delas. E eu sou delas. A minha materialidade se resume na posse, mesmo que relativa, de meus bens.

 

E tudo que é matéria se consome, se deteriora no universo. Estamos temporários e usufrutuários em nossos corpos. Não importa se eu nasci no dia em que Paul McCartney anunciou o fim dos Beatles. Só eu sei que este dia é importante para mim. Lembra-me que eu morro a cada ano, até o momento em que o meu corpo tomará ciência disto e morrerá também. Sem ter consciência plena disto, então, poderei me permitir assumir riscos irresponsáveis? Deverei abdicar do uso do bom senso, da moral e ética para poder melhor justificar minhas conveniencias? Matarei? Roubarei? 

 

Também é comum justificar que sonegar é algo aceitável. O empresariado sonega, pois o governo gasta os recursos acumulados, pelos impostos pagos, de forma irregular. Contudo o empresariado pode demitir o funcionário que "toma emprestado algumas canetas" ou que encontra uma fuga para suas frustrações acessando pornografia na internet do seu trabalho. Ah! Vai! Acabem com o mundo de uma vez! Por que tanta tortura? O que é mais importante e aceitável, matar cinco pessoas ou cinco milhões de pessoas? No final não são vidas também? Somos frívolos. Idiotas.

 

Mas, há uma salvação. A cada ciclo de morte e nascimento, novas oportunidades vão surgindo. E talvez, algum dia, deixemos de ser meros símios falantes e passemos a ser seres humanos, efetivamente. Se é que isto possui alguma relevância para alguém. Não gosto de parecer reducionista, mas, ao final, não nos tornaremos adubo para a terra? Então, por que tanto anseio por querer as coisas deste mundo? Ter, ter e ter. Se somos inteligentes deveríamos usar tal ferramenta para dignificar nossa existência no mundo, mas infelizmente estamos no rumo errado, por enquanto. Um dia, quem sabe, poderemos atingir coletivamente o estado de ser iluminado, tal qual Sidarta, à sombra de uma árvore, contemplando o mundo, e não mais nos preocuparmos em sonegar impostos para não quebrarmos empresas; nem, tampouco, governos mal utilizarem o erário público ou funcionários se apropiarem da internet alheia, afim de afogarem suas frustrações existenciais.

 

Escrito por Betão às 21h30
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01/08/2008


DOGMAS CATÓLICOS, ESPÍRITAS, EVANGÉLICOS, BUDISTAS, CIENTOLOGISTAS, FILOSÓFICOS, CIENTÍFICOS, POLÍTICOS...

E o que vejo são só mentiras, meias verdades ou deslavadas imposições ortodoxas que facilitam a dominação. Existe sim, uma lavagem cerebral, secular e, infelizmente, tão atual.

 

Qualquer religião que se arvore dona da “Verdade”, seja ela qual for, não deve ser digna da observação alheia, nem da fé ou, quanto menos da esperança. Mentiras são mentiras e não devem acalentar ninguém. Vejo que Deus não criou apenas uma forma no universo, basta olhar ao nosso redor, portanto, eu sei que existem várias formas de nos levar a Ele. 

 

E a “Verdade”, em nosso estágio atual evolutivo, não passa de uma mesquinha conveniência. O nosso sangue vira comida de vampiro quando deixamos de pensar, de refletir e de questionar...

 

Escrito por Betão às 20h17
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QUE A VERDADE SEJA DITA?

Dogmas Católicos: eu não entendo tanta incoerência...

 

 

“A um padre pediram que respondesse a uns tópicos de um dogma, e ele declarou que ele próprio não tinha o direito de fazer a si mesmo tal pergunta. E fala-se em dogmas do catolicismo como se fossem sentenças decretadas pelo Supremo criador.

 

Os principais dogmas do Catolicismo foram tirados de um poema de Ciméria, a Sibila de Cumes. Outra parte é copiada dos Vedas, do Vendidad Saddé, base da religião de Zoroastro, e da qual Santo Agostinho, que tinha adotado o maniqueísmo, criado por Manu, extraído por uma genial combinação da doutrina de Zoroastro, da de Buda e da de Cristo, aproveitando da primeira o dualismo divino fundamental, da segunda o aparelhamento lendário e da terceira sua organização militante e a forma literária.

 

Este Pai da Igreja Católica, além disso, condensa seus conhecimentos teológicos, tomando dois terços da teologia de Platão, discípulo de Sócrates e da de Pitágoras, iniciado nos templos do Egito e nos da Grécia. Em Confissão 1, 7, 10, ele confessa que foram os dogmas de Platão que o fizeram admitir os dos Cristãos. Antonio Fogazarro, notável escritor católico, assim se exprime: “Quem formula as decisões senão os teólogos? E quem são os teólogos senão homens falíveis e ignorantes como nós?”

 

- A. Leterre, A vida oculta e mística de Jesus (As chaves secretas do Cristo) -

Escrito por Betão às 19h57
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FIQUE POR DENTRO DA SANDICE

 

As origens do dogma da Trindade

 

A Igreja expõe assim o dogma da Trindade: Aquele que quer salvar-se deve guardar sua fé católica, que é adorar um só Deus na Trindade e a Trindade na Unidade, sem confundir as pessoas nem dividir a substância. Outra é a pessoa do pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; mais a divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo é uma, sua glória iguala sua majestade externa. Tal é o Pai, tal é o Filho, tal é o Espírito Santo. Todos os três são incriados, incompreensíveis, eternos, todo-poderosos e, no entanto, eles não são três incriados, três incompreensíveis, três eternos, três todo-poderosos; mas um só incriado, um só incompreensível, um só eterno, um só todo-poderoso. Assim, o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é deus; no entanto, eles não são três Senhores, mas um só Senhor.

 

Por outro lado, enquanto o Pai incriado não é nem feito, nem engendrado, o Filho, também incriado,é nascido, no entanto, do Pai, não feito, mas engendrado, e o Espírito Santo, incriado por sua vez, é do Pai e do Filho, não tendo sido nem engendrado, mas procedente. O que faz que haja um só Pai e não três Pais, um só Filho e não três Filhos, um só Espírito Santo e não três Espíritos Santos. Mas dessas três pessoas, nenhuma é anterior ou posterior à outra, nenhum é superior ou inferior, de modo que por todos os lados, como dissemos, é mister adorar a Unidade na trindade e a Trindade na Unidade.

 

Nunca se jogou um desafio mais audacioso ao princípio da contradição. (...) As palavras não têm mais significação, se se admitir semelhante pilha de contradições, sob a capa desilusória  do nome do MISTÉRIO! (...)”

 

- V. Courdaveaux, Comment se sont formés les dogmes -

 

Escrito por Betão às 19h49
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21/07/2008


ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS

 

 

 

“MAs Eu Não QuErO Me encOntRar cOm GenTE LouCa”, observou Alice.

“vOcê PoDe eviTAr iSsO”, replicou o gato.

“tOdoS nÓs aquI sOmos LouCOs. Eu sOU LouCo. VoCÊ é LOucA.”

“ComO SAbE QuE SOu LoUCA?”, indagou Alice.

“dEVe seR”, disse o gato, “Ou Não TeRIa viNdO aQUi”.

 

- Lewis Carol -

Escrito por Betão às 20h06
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