Não compreendo esta nossa faceta humana que nos impõe o distanciamento da felicidade quando o que mais queremos é nos aproximar dela. Observem: se a felicidade é uma casa, logo queremos dois carros. Quando ela se transfigura numa televisão de 42" LCD, tratamos de desejar um notebook de última geração. Tudo bem que vivemos em um planeta materialista, onde a maior parte das pessoas somente vislumbram sua sobrevivência, contudo, até quando vamos nos permitir apenas a viver e existir em função do que é passageiro, do que tem fim? As religiões deveriam mudar o foco de suas ações, desvinculando-se de uma pseudo salvação e direcionando esforços no sentido espiritualizar mais profundamente as pessoas, de fato e não apenas superficialmente. Ensiná-las a olhar o mundo de uma forma diferente, menos pretenciosa e exigente; fazê-las vivenciar suas difculdades e superá-las já seria um bom começo. Todavia, ainda se embatem nas questões puramente materialistas. Curas de doenças, alívio para depressões, caminho para riqueza, etc. Porque eu tenho que ficar rico? Para que acumular riqueza e poder, se num átimo de segundo tudo pode mudar o rumo de nossas vidas? Estava pensando no empresário paulista que morreu junto com a sua família em um desastre áereo em Porto Seguro, aqui na Bahia, neste final de semana. Quatorze pessoas, ao todo, entre amigos e parentes de uma mesma família. Eis um fato para se pensar e não apenas enxergar o óbvio!
Não importa o que desejamos e o que conseguimos ter, pois nada é nosso de maneira definitiva. A posse é transitória, sempre o e sempre será. Mais vale viver em paz e buscar aprender a apaziguar nossos traumas e angústias, do que tão somente camuflar nossas dores e medos com um celular de último modelo tecnológico. Pode ser até legal, mas não satisfaz. Não quero dizer com isto que teremos que nos alienar das coisas do mundo, de vivê-lo intensamente, não é isso, mas medir a dose na porção certa é o que separa o veneno da profilaxia. E olhar o mundo e as pessoas sem nos sentirmos superiores a todos com certeza já é um passo largo em direção ao verdadeiro entendimento do que é a vida.

"Se eu alguma vez vier a ser Santa - serei certamente uma santa da 'escuridão'. Estarei continuamente ausente do Céu - para acender a luz daqueles que se encontram na escuridão na Terra". - Madre tereza de Calcutá -




Tá bom, tá bom, vai, feliz natal para vocês...










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