Enigma de Bresa


23/12/2008


AH! ESSES DIAS TÃO DIFÍCEIS

Discussões ideológicas não possuem termo. Nunca vão acabar de fato com as diferenças que existem entre as pessoas, não importando a cor de suas peles, credos e opções, pois essas diferenças são de entendimento, educação e aceitação. Os conceitos são criados para nos diferenciarmos psicologicamente, dividindo-nos em castas, segregando-nos em guetos, classes, tipos, cores (...), etc. Mas, a grande questão é: nós realmente precisamos desta separação?

 

Vire-nos ao avesso e verão que somos iguais, com as mesmas vísceras, órgãos, veias, tendões, músculos e ossos. E, ao morrermos, apodreceremos e seremos esquecidos, não obstante essas ridículas pretensões. A ignorância é a premissa básica dos racistas, sejam eles quem for, venham de onde vier e sejam quais for suas cores prediletas.

 

Na boa, esse papo já deu o que tinha para dar, agora, cabe-nos apenas tomarmos a ação de realizar a redução das diferenças, começando por nós mesmos esta mudança. Não tenham pena, nem, tampouco, zombem de mim porque sou branco, amarelo, vermelho, preto ou porque me expresso de forma diferente e creio de maneira diversa de você, pois, pode até parecer loucura (e não é), mas, talvez, o diferente seja você, que não vê além de sua própria mesquinhez.

 

O amor verdadeiro não possui rótulos, pois, caso contrário, deixaria de ser amor. A beleza existe na diversidade, caso contrário, tudo seria eloqüentemente monótono. O equilíbrio das formas se encontra nas texturas existentes entre a luz e a escuridão, entre o som e o silencio, entre o feminino e o masculino, até que todos eles se mesclem algum dia e gerem outras melodias.

 

Sinto muito, mas este mundo que herdamos é, cotidianamente, construído por nós mesmos e fica esquisito desejarmos um mundo melhor sem tentarmos fazer dele, por nossos próprios méritos, um lugar benfazejo e possível. Oxalá tenhamos sobriedade, vontade, lucidez e bom senso para iniciarmos um entendimento mais amplo sobre as ações que devemos tomar a fim de atingirmos tais objetivos. Nunca é tarde para começar a amar, realmente, esses seres humanos tão diversos e, mais do que nunca, semelhantes.

 

Ω

 

Natal, ano novo, festas, tudo conversa fiada para um ou dois dias específicos, de gastança e comilança, sem as devidas reflexões, onde mergulhamos avidamente em nossos egos e vivenciamos, mais do que nunca, as ilusões do mundo. Contudo, isto faz parte do aprendizado de viver e sorrir, mesmo diante de obstáculos intransponíveis. Não importando quem sou eu ou o que quero, quem eu amo ou odeio, menos ainda no que creio ou consigo ver, pois é certo que continuaremos sendo nós mesmos, independente do que acham de nós. Todavia, ao olharmos, o que nos cerca, com os olhos de nossos semelhantes e sentirmos suas dores e tristezas, suas alegrias e plenitudes, talvez, estejamos dando um passo primordial e importante para mudarmos a nossa própria maneira de ver o mundo, sem nos sentirmos melhores ou piores do que eles, mas, apenas iguais. 

 

 Tá bom, tá bom, vai, feliz natal para vocês...

Escrito por Betão às 18h30
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